Um Brasil de festas e danças!

As populações indígenas que habitaram o território brasileiro são muitas e diferem umas das outras. Embora existam coisas em comum entre as populações indígenas, como seu estilo de vida e algumas crenças, as diferenças vão desde o tipo físico, a língua que falavam, até seus costumes e sua cultura em geral. Naturalmente esta variedade envolve a música e a dança.

A contribuição destas culturas, dos muitos e diferentes grupos indígenas que viveram aqui antes da colonização portuguesa, somada às que trouxeram portugueses, africanos, além dos imigrantes europeus e asiáticos, compõem a diversidade cultural brasileira. Nossa herança folclórica é o resultado das influências das etnias formadoras do nosso povo, que influenciaram decisivamente o nosso folclore, com grande variação de uma região para outra.

Hoje uma enorme riqueza cultural se revela nas manifestações artísticas brasileiras e, em especial, nas danças.

Existe uma grande variedade de danças folclóricas no Brasil, ligadas às religiões, às datas comemorativas ou aos momentos de lazer das pessoas. A dança é a mais social das manifestações folclóricas, pois pode congregar toda uma comunidade, envolvendo os dançarinos e aqueles que participam assistindo.

As danças populares com representação de personagens ou que partem de algum tema são chamados de folguedos. Na sua maioria ocorrem em festas tradicionais, como o Natal, o Carnaval, as Festas Juninas e outras tantas festas religiosas.

 

Quadrilha

As Festas Juninas são as festas populares mais difundidas no Brasil. São festas dedicadas aos três santos do mês de junho: Santo Antônio, São João e São Pedro, para agradecer as boas colheitas na roça. A quadrilha é a dança típica destas.

Trazida para o Brasil pelos portugueses no século XIX, a quadrilha nasceu em Paris no século XVIII onde era dançada pela aristocracia, dando abertura aos bailes das cortes, mas também, após as colheitas, em festas religiosas e casamentos. No Brasil chegou como a dança preferida das elites, mas logo caiu no gosto do povo, que modificou as evoluções e a música. Hoje é praticada nos campos e nas cidades com bastante animação.

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Quadrilha, da corte francesa para o “arraiar” brasileiro.

Dançada por casais, a quadrilha é comandada por um “marcador”, que orienta a coreografia usando inicialmente palavras em francês, mas que foram sendo misturadas ao “caipirês”, como por exemplo: balancê (balancer = balançar), anarriê (en arrière = ir para trás), anavan (en avant = avante, para frente).

A quadrilha brasileira, como outras danças de nossa cultura, é uma dança dramática, que representa o baile de comemoração de um casamento matuto (ou caipira) interpretado pelos próprios dançarinos. A noiva quase sempre está grávida, e os pais dela obrigam o noivo a casar. Como ele se recusa, o delegado intervém. Por fim, o casamento é realizado por um padre e um juiz, sob a garantia dos soldados, mas o tom é sempre satírico e alegre.

Muito dançada nas Festas Juninas em todo o País, a quadrilha é acompanhada por músicas variadas, conforme a região: do arrasta-pé, no Sudeste, ao forró, no Nordeste e as músicas de fandango, no Sul. Em alguns lugares, durante a evolução da quadrilha, dançam-se músicas regionais, como o carimbó, o xote, o siriá e o lundum no Pará.

 

Xaxado

O xaxado nasceu no sertão de Pernambuco e era muito praticado pelos cangaceiros da região, em comemoração as suas vitórias. A palavra xaxado é uma onomatopéia do barulho xa-xa-xa feito pelas sandálias dos dançarinos quando elas arrastam contra a areia do sertão..

O ritmo era marcado só pelas batidas dos rifles no solo, acompanhando a música cantada, mas hoje são usados zabumbas, pífanos, triângulo, sanfona, reco-reco e ganzá.

 

Chula

A chula, típica dos gaúchos, é uma dança de desafio masculina improvisada, na qual um dos dançarinos faz movimentos complicados com sapateados e o outro tem que repetir.


Os gaúchos dançam a chula como uma forma de disputa.

Eles usam botas e esporas, que tilintam quando dançam e batem o calcanhar no chão. Com equilíbrio e ritmo, ao som de polcas, os dançarinos se exibem ao redor de uma lança de uns três metros, colocada no chão. Esta dança, tradicionalmente, é uma disputa. Aquele que menos vezes tocar a lança com os pés será o vencedor.

Caboclinhos

Tocando flautas e pífanos, maracas e surdos, batendo as preacas, durante o Carnaval, no Nordeste do Brasil, os grupos de caboclinhos percorrem as ruas fantasiados de índios com vistosos cocares, adornos de pena na cinta e nos tornozelos, colares, representam cenas de caça e combate, simulando ataques e defesas.


Grupos de caboclinhos percorrem as ruas do nordeste brasileiro fantasiados de índios.

Os ritmos são o perré (ou toré), guerra e baião, sendo o primeiro mais lento. Não há enredo nem coreografia específica para esse bailado primitivo.

A dança é forte e rápida, exigindo destreza e desenvoltura dos participantes. Há passos em que se dança agachado, baixando-se e levantando-se rapidamente e ao mesmo tempo rodopiando, apoiando-se nas pontas dos pés e calcanhares, exigindo muita resistência física.

 

Caiapó

Caiapó é uma modalidade do sudeste, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, similar aos Caboclinhos, com algumas modificações.

É uma dança dramática, onde há um enredo com rapto e resgate de um pequeno indígena, além do abandono dos instrumentos de sopro, que são substituídos por tambores, caixa, pandeiros e reco-recos.

 

Frevo

O frevo é uma das danças mais vivas e alegres da cultura brasileira. Apareceu na cidade de Recife em fins do século XIX e originou-se das músicas que as bandas militares e fanfarras tocavam nos desfiles de rua. O ritmo, misto de marcha e polca, é contagiante e consegue atrair multidões, arrastando-as em entusiasmados cordões pelas ruas de Recife e Olinda nos festejos populares, especialmente durante o carnaval.


Frevo nas ruas do Recife e de Olinda.

A palavra frevo vem de ferver, ou “frever”, devido a impressão que dava ver a multidão dançando. A origem dos passistas que dançam na frente da banda instrumental veio das capoeiras, que vinham à frente das bandas marciais executando passos para provocar os grupos inimigos. Os movimentos da capoeira foram estilizados, deixando de ser golpes e tornando-se passos de dança. A sombrinha colorida, que substituiu as armas dos capoeiras, tornou-se um adereço que confere graça e ajuda nos movimentos dos dançarinos.

O passista de frevo precisa ter habilidade física e capacidade inventiva, pois alguns passos são verdadeiros malabarismos e acrobacias, permitindo improvisações.

 

Maracatu

O maracatu é uma dança que nasceu em Pernambuco e originou-se da congada. Antigamente acontecia em festas religiosas. Os adeptos das religiões afro-brasileiras formavam o cortejo do rei e saiam dançando para saudar os orixás. Mas hoje só aparece no Carnaval nordestino, especialmente em seu Estado de origem.


Maracatu, dança dramática de Pernambuco.

O visual é colorido e exuberante, rico pelas fantasias bordadas. É acompanhada por instrumentos de percussão, como tambores, chocalhos e agogôs ou gonguê, e os participantes percorrem as ruas contando e dançando depois de ter homenageado Nossa Senhora do Rosário.

O maracatu possui vários personagens, e cada um deles tem o seu significado: o rei e a rainha, as princesas, as baianas, o porta-estandarte, os caboclos (que representam os guerreiros que protegem a nação) e os cantores ou mestres, que vêm atrás, junto com o batuque. Mas a principal figura do cortejo é a dama do paço, que carrega na mão uma boneca chamada calunga, de caráter religioso e representativa dos antepassados da nação.

Existem dois tipos de maracatu: o maracatu nação, que surgiu primeiro, e o maracatu rural.

 

Pau de Fita

Outra dança muito interessante é a do pau de fita. De tradição milenar, essa dança da fecundidade surgiu para saudar a primavera ou o verão e ocorre em muitos países.


Pau de Fita, dança é de origem alemã, presente no folclore de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Amazônia.

É uma das mais bonitas danças do folclore de Santa Catarina. Em torno de um mastro de três metros, encimado por um conjunto de largas fitas multicoloridas, os dançadores realizam evoluções segurando na extremidade de cada fita, revezando os pares para compor trançados no mastro, que depois são destrançados. Esta dança é de origem alemã e está presente também no Rio Grande do Sul e no Amazonas.

 

Ciranda

Quando se fala em ciranda, logo vem a nossa mente uma brincadeira infantil onde crianças cantam e cirandeiam (giram de mãos dadas), com algumas variações em função das músicas cantadas. De fato, em todo o país as crianças brincam assim.

Entretanto, a ciranda é também uma dança de roda de adultos. De origem portuguesa, é uma dança praieira, especialmente do Nordeste brasileiro.

Ela é bastante comunitária e pode começar com uma pequena roda, de poucas pessoas, que vai aumentando à medida que outros chegam para dançar.


Ciranda, dança praieira.

Os integrantes das cirandas cantam e dançam e são denominados de cirandeiras ou cirandeiros. Dentro da roda ficam os músicos, chamados “terno”, que tocam ganzá, bombo e caixa, o contramestre e o mestre, responsável por comandar a animação, “puxar” a cantoria e manter a ordem. Este é o integrante mais importante e, muitas vezes, seu nome serve de identificação da ciranda – a Ciranda da Lia de Itamaracá, muito conhecida em Pernambuco,por exemplo.

 

Maculelê

O maculelê é uma dança de origem afro-indígena, um jogo de bastões que se chocam em batidas regulares, obedecendo ao ritmo dos atabaques e agogôs. A dança do maculelê é muito praticada para ser admirada. É parte certa na apresentação de grupos de capoeira e em eventos realizados como formaturas, encontros, batizados, etc.


Maculelê, jogo de bastões.

A característica principal desta dança é a batida dos porretes uns contra os outros em determinados trechos da música que é cantada acompanhada pela forte batida do atabaque.

Esta batida é feita quando, no final de cada frase da música os dois dançarinos cruzam os porretes batendo-os dois a dois. Os passos da dança se assemelham muito aos do frevo pernambucano, são saltos, agachamentos, cruzadas de pernas, etc. As batidas não cobrem apenas os intervalos do canto, elas dão ritmo fundamental para a execução de muitos trejeitos de corpo dos dançarinos

O maculelê tem muitos traços marcados que se assemelham a outras danças tradicionais do Brasil como o Moçambique de São Paulo, a Cana-verde de Vassouras-RJ, o Bate-pau de Mato Grosso, o Tudundun do Pará, o Frevo de Pernambuco, a dança dos facões do sul, etc.

 

Carimbó

O carimbó é uma dança típica do Pará, é considerado um estilo musical de origem indígena, porém, como diversas outras manifestações culturais brasileiras miscigenou-se e recebeu outras influências. É conhecido nacionalmente (por estudiosos em folclore) como a única dança brasileira, onde se percebe visivelmente a influência dos três povos que formaram a sociedade brasileira: o batuque africano; os instrumentos indígenas e coluna curvada, da forma como dança esse povo; e o estalar de dedos dos portugueses.


Carimbó, dança de origem indígena

Seu nome, em tupi, refere-se ao tambor com o qual se marca o ritmo, o Curimbó.

A dança é realizada com o ritmo de dois curimbós de sons diferentes e outras percussões. É dançada aos pares e tem o momento do desafio, que consiste no cavalheiro pegar com a boca um lenço atirado no chão pela dama.

Existem muitas danças folclóricas no Brasil além das apresentadas. Certamente você conhece algumas e está se perguntando por que não foram citadas. Mas você vai concordar comigo que são tantas, que precisaremos de outras aulas pra poder falar de todas, não acha?