Infraestrutura é a parte de uma cidade ou outra organização humana que serve de base para o desenvolvimento de outras atividades, sem a qual nada funciona. Rede e tratamento de esgotos, abastecimento de água, energia elétrica, rodovias, usinas hidrelétricas, portos, aeroportos, rodoviárias, sistemas de telecomunicações, ferrovias, gás canalizado, sistema de transporte, sistema médico-hospitalar, escolas - tudo isso faz parte desta definição.

A infraestrutura é fundamental para o desenvolvimento econômico de um país. Sem ela, as empresas não conseguem desenvolver adequadamente seus negócios. Por exemplo, para que as empresas de um país possam exportar são necessários portos e aeroportos - elementos da infraestrutura de um país. 

Quando um país apresenta uma infraestrutura pouco desenvolvida, os produtos podem encarecer no mercado interno - prejudicando os consumidores e também o mercado externo - dificultando as exportações em função da concorrência internacional.

Nos países subdesenvolvidos, mesmo com investimentos muitas vezes vindos de fora, a infraestrutura destinada ao atendimento da população é insuficiente, resultando em graves problemas sociais. O aumento de espaços urbanos sem infraestrutura é uma das características dos países em desenvolvimento.

É claro que a intensidade desta característica varia entre os países em desenvolvimento e entre suas próprias regiões. Veremos agora outros aspectos comuns a estes países em desenvolvimento.

O elevado crescimento populacional do mundo é uma marca importante nos países pobres. A população mundial  (fazer um pop up com um gráfico-circulo representando esta informação) subiu para 6,7 bilhões de habitantes, sendo que 1,2 bilhões vivia nas regiões mais desenvolvidas e os 5,5 bilhões restantes, nas zonas mais pobres. O crescimento populacional desencadeia uma série de processos de exclusão, o aumento do desemprego, baixos salários, migração massiva para as grandes cidades, rápido crescimento de favelas sem saneamento básico, e uma grande perda de mão-de-obra qualificada para outros países.


A cidade é a manifestação mais concreta do crescimento populacional.

O alto índice de pessoas vivendo em submoradias e a má distribuição de renda produzem um realidade cada dia mais assustadora nos países subdesenvolvidos.


De quem é a responsabilidade da condição de pobreza?

Nos países subdesenvolvidos, a maior parte da população empregada se encontra no mercado informal e nos setores primário (agricultura, pecuária, extrativismo) e terciário (comércio e serviços). Esta característica está relacionada ao processo de colonização que estes países sofreram, onde, como colônias, tinham suas economias organizadas de acordo com os interesses das metrópoles.


A pecuária faz parte das atividades do setor primário.


O serviço de saúde e o comércio fazem parte do setor terciário.
 

Assim, a economia destes países ficou atrelada às necessidades dos países desenvolvidos, exportando produtos primários (produtos de baixo valor no mercado internacional) e importando bens industrializados e tecnologia (produtos mais avançados tecnologicamente, portanto com preços muito mais altos).  Este desequilíbrio entre os valores das exportações e das importações, chamado de balança comercial, é desfavorável para os países em desenvolvimento, que acumulam déficits crescentes.

Importação e Exportação.

Em consequência das dificuldades em obter dinheiro para investir no desenvolvimento de suas economias, os países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento contraem dívidas impagáveis em bancos internacionais, privatizam empresas nacionais e tomam medidas para atrair o capital estrangeiro.  As empresas estrangeiras - multinacionais e transnacionais - que se instalam nos países subdesenvolvidos trazem o capital e a tecnologia, mas remetem uma grande parcela do lucro para as matrizes, provocando a descapitalização nos países subdesenvolvidos.

Outra característica marcante dos países que estamos estudando é a enorme dependência tecnológica em relação aos países mais ricos e industrializados. Em geral, os investimentos nas áreas de educação, ciência e pesquisa são muito reduzidos nos países em desenvolvimento, precisando recorrer àqueles que tem o domínio dos mais avançados e variados campos do conhecimento e da produção científica e tecnológica.

A rapidez é fator determinante na produção tecnológica: o novo que já parece velho.

Através dos meios de comunicação, o consumismo é um fator ideológico importante que marca fortemente as economias dos países em desenvolvimento, que além de consumirem mercadorias, consomem ideias, valores, moda, teorias, crenças e modelos dos países mais ricos. É o consumo de cultura globalizada.

A qualidade de vida da população é também um indicador de desenvolvimento, senão o mais importante, o mais determinante para caracterizar um país. O IDH é o índice mais adequado para retratar a realidade das populações. Os países em desenvolvimento apresentam com frequencia altos índices de analfabetismo, de mortalidade e de natalidade que se traduzem no IDH. Existem três níveis de classificação:
  • Países com IDH maior que 0,800 - alto desenvolvimento humano;
  • Países com IDH entre 0,500 e 0,799 - médio desenvolvimento humano;
  • Países com IDH abaixo de 0,500 - baixo desenvolvimento humano.

Acompanhe o ranking do desenvolvimento humano, segundo a ONU. Clique sobre a bandeira e veja onde se localiza!

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Fonte: globo.com

 

Desfazendo mitos sobre o subdesenvolvimento

Os países desenvolvidos nunca foram subdesenvolvidos no passado. Quando se estuda a Inglaterra antes da revolução industrial, verifica-se que havia um grande atraso em comparação com a tecnologia atual. Mas não havia dependência econômica, que é fundamental para definir o subdesenvolvimento.

 Foi apenas a partir do nascimento e desenvolvimento do capitalismo na Europa Ocidental e de sua posterior propagação pelo restante do mundo, que surgiu essa situação de subdesenvolvimento, caracterizada pela dependência, pela subordinação das nações periféricas com relação a outras, as centrais.

Durante certo tempo, muitos economistas sustentaram a ideia de que o subdesenvolvimento seria uma espécie de etapa necessária para se alcançar o desenvolvimento econômico. Eles insistiam na ideia de que os países do chamado Terceiro Mundo (países capitalistas subdesenvolvidos) estavam em momentos do desenvolvimento econômico que já haviam sido superados pelos países do Primeiro Mundo (capitalistas desenvolvidos). Ou seja, a ideia era que o desenvolvimento seria um processo único e que todos os países, mais cedo ou mais tarde, o alcançariam. Bastaria esperar o tempo passar, que um dia qualquer país do mundo poderia atingir o desenvolvimento de países como a França ou os Estados Unidos.

No entanto, um importante economista brasileiro chamado Celso Furtado tinha uma opinião diferente. Em um livro chamado Teoria e política do desenvolvimento econômico, Celso Furtado afirma que “o subdesenvolvimento é (...) um processo histórico, autônomo, e não uma etapa pela qual tenham, necessariamente, passado as economias que já alcançaram grau superior de desenvolvimento” (p. 189). Ou seja, as causas que provocam o subdesenvolvimento deveriam ser entendidas e estudadas em si mesmas e não ser vistas como uma etapa de um desenvolvimento que aconteceria de qualquer forma. Para Celso Furtado, os países subdesenvolvidos, se não enfrentassem as causas do seu subdesenvolvimento, permaneceriam dependentes dos países centrais indefinidamente, e jamais alcançariam o seu nível de desenvolvimento.


E se virássemos o globo invertendo os pólos?

Subdesenvolvimento não significa apenas atraso econômico ou social.

É importante observar que nos países desenvolvidos não existem só ricos, enquanto nos países subdesenvolvidos só há pobres. Em alguns países subdesenvolvidos existem indústrias modernas e, em certos casos, uma taxa de crescimento bastante razoável. O que os diferencia dos desenvolvidos é que continuam a ser países, por um lado, com minorias privilegiadas e concentradoras de renda, e por outro, com alto índice de pobreza. Podemos citar como exemplos a África do Sul e o Brasil, que são bastante industrializados, bem como o Kuwait e os Emirados Árabes Unidos, grandes exportadores de petróleo, mas com diferenças sociais importantes.

O subdesenvolvimento deve ser visto também a partir de fatores internos, relacionados às elites dominantes de cada país.  Historicamente, essas classes dominantes se mantiveram no poder, fazendo prevalecer seus interesses e privilégios para enriquecer cada vez mais. Assim, ora apoiando governos autoritários, ora desviando verbas que deveriam ser investidas no bem-estar da sociedade, mantém frágeis as estruturas dos países em desenvolvimento e agravam ainda mais as condições de vida da população.


A elite e o povo

Não há uma oposição simétrica entre a realidade do norte e a do sul.

O país subdesenvolvido não é exatamente o oposto do desenvolvido: um seria agrícola e rural, o outro industrializado e urbano. Existem subdesenvolvidos que são industrializados e têm população predominantemente urbana. Na realidade, esses dois “mundos” são interdependentes: um deles não existiria sem o outro. Não é possível que todos os países do mundo sejam desenvolvidos: não há desenvolvidos sem subdesenvolvidos e vice-versa, ou seja, o capitalismo parece se alimentar de desigualdades.

É extremamente difícil imaginar um mundo em que todos os países sejam desenvolvidos de acordo com as “sociedades de consumo” dos dias atuais.


Modificar esta lógica significa modificar o capitalismo.